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"Rompi a barreira da passividade"

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O astrólogo, desenhista e professor Tadeu Kushad Bandoni
conta como descobriu que podia agir,
em vez de esperar as coisas acontecerem

 

Quando eu recebi o convite para participar do Brincar de Crescer, eu estava em um momento delicado. Eu estava procurando uma direção na vida e ao mesmo tempo uma força interior, tanto para me entender quanto para entender o que o mundo pedia de mim. Além do que, eu estava no final de um ciclo e no começo de outro: estava mudando de casa, tinha acabado de iniciar um relacionamento com uma pessoa bem diferente de mim, muitas mudanças ao mesmo tempo. 

 

Eu queria me soltar mais. Muita gente já tinha me dito que eu precisava me soltar. Como astrólogo, sei que meu ascendente em leão pedia também para eu me expressar mais. Era como se tivesse alguma coisa escondida que queria sair para fora.

 

Tadeu: “Nestes tempos de
consumismo, é bom saber que
ainda é possível estar inteiro
no aqui e agora, não importa onde.”

 

Mas ao mesmo tempo tinha medo do desconhecido.

 

Porque eu não tinha ideia do que iria acontecer naqueles dias de vivência. Os amigos que me indicaram, em quem eu confio bastante, disseram que era assim mesmo. Era para ir sem saber. Fazia parte do processo.

 

Senti como se fosse nadar no mar de olhos fechados, sem saber nadar. Mas confiei na indicação, porque veio de amigos queridos, que me conhecem bem e que querem meu bem. No fundo, eu sentia que aquela experiência me faria crescer.

 

Por outro lado, eu sabia que a vivência tinha a ver com humor, que é uma coisa que sempre me atraiu, embora eu sempre tenha sido uma pessoa tímida. Então me colocar num lugar que eu achava que era de fazer rir era um grande desafio. 

 

Ou seja, eu queria ir, mas não queria.

 

O que me ajudou a decidir foi saber que o ambiente era seguro, que eu ia ser amparado para participar. Então eu pensei: vou, mas vou ficar meio na sombra, evitar me expor muito. 

 

No começo eu estava inseguro, por não conhecer as pessoas. Na verdade, quase ninguém se conhecia, éramos todos estranhos, com histórias bem diferentes. Mas aos poucos o processo foi criando um acolhimento, alguma coisa que tornou tudo viável. Parece que, à medida que fomos nos aquecendo, nos aproximando, foi crescendo essa entrega de todos para o espírito de grupo. O humor ajuda a quebrar máscaras e preconceitos para olhar os outros de outra maneira.

 

Da minha parte, eu me vi quebrar muitas resistências. De medo, de ação. De não ficar só passivo esperando que as coisas aconteçam. No meu caso, eu queria acionar alguma coisa em mim, uma coisa que é difícil para mim, de fazer escolhas que implicam ação e exposição. E eu me vi quebrando essas barreiras.

 

E não foi nada agressivo. Ninguém arrancou de mim alguma expressividade maior. Eu é que percebi que podia colocar para fora algumas coisas, na medida do que eu conseguia, do meu jeito. Sei que dá para ir mais. Vi os colegas indo além, se entregarem. Fiquei feliz por eles. E fiquei feliz por mim.

 

Ah, e também ri muito. Chorei de rir. Ao mesmo tempo que fazia meus avanços e enfrentava meus desafios, me diverti muito, uma coisa de perder a razão de quem eu era e de quem eu estava sendo ali. Algumas atividades, quando acabavam, me dava até uma pena, porque eu queria fazer mais, continuar. A vivência é uma coisa muito energética, trabalha com muita energia, foi bem intenso. 

 

Vi também muita gente se revelando, gente que trabalha no dia-a-dia com rotina severa e séria e que, lá, estava atuando de uma forma bem criativa.

 

Essa parte da criatividade acontece quase sem querer. Porque existe uma amorosidade, um amor-próprio que vai sendo desenvolvido ou criado, não sei bem. E essa amorosidade abre espaço para a gente fazer as coisas que na verdade a gente sempre quis mas nunca teve coragem. Pode ser que essa criatividade estava adormecida, porque no dia-a-dia você não tem espaço para exercitar ou manifestar esse criativo, esse humor, para tornar as coisas mais leves. E lá foi criado um espaço que coube tudo isso. 

 

Gostei de muitas coisas. Os jogos em si foram muito legais. A coisa do instantâneo, de não dar tempo de pensar, de ter que buscar no nada, naquela caixa onde as ideias estão armazenadas... 

 

E vem mesmo do nada. De repente saem coisas que não dá para ficar elaborando ou escondendo, buscando resultados de segurança. Acho que é uma outra forma de se despir. E aí se descobre que têm coisas que tem que jogar fora. 

 

Os facilitadores dão essa segurança, de se despir dos medos e preconceitos. Porque eu acho que, se você não está com um grupo ou facilitadores que dêem essa segurança, você fica fragilizado e não consegue se arriscar. Ali não, ali eu me senti à vontade. 

 

Consegui me enxergar, enxergar o outro, me expressar com o corpo, com palavras, sem palavras. É se conhecer de diversas maneiras, coisa que para mim realmente é bem difícil mesmo. E o melhor: foi leve.

 

Minha reentrada na vida cotidiana foi difícil. Não acontece no dia-a-dia o mesmo calor humano do workshop, o mesmo acolhimento. Sozinho tem sido difícil voltar para aquele estado. Objetivamente, acho que tinha que ter alguma coisa que promovesse um encontro, uma manutenção, para a gente continuar conectado com aquela energia. Para ter aquela memória.

 

A principal consequência do Brincar de Crescer para a minha vida foi de coragem. Coragem para falar um pouco mais descontraidamente, de falar um pouco de abobrinha, de me soltar. Passei a ter coragem de falar em primeira pessoa, em vez de ficar jogando para o outro a responsabilidade. E foi uma leveza, porque eu vejo muita gente de humor falando que o humor não tem limite, mas é mais uma coisa de espetáculo. O humor que eu buscava para mim era uma coisa mais leve, de estar mais à vontade neste mundo. E foi isso que eu encontrei. 

Estar inteiro em tudo o que faço, e estar aqui e agora, não importa onde esteja. É uma coisa que o Brincar de Crescer oferece para as pessoas: elas estarem presentes. 

 

Veio para mim um insight que eu tenho para dar o que eu sou. Nestes tempos de consumismo, é estar inteiro no aqui e agora. Foi uma troca, uma generosidade coletiva de grupo, um espírito de grupo, mas mantendo cada um sua individualidade. 

 

Foi ótimo.

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