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Pensar dentro da caixa também pode ajudar

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Não tinha outra saída, eu tinha que aceitar que passaria mais algumas horas fazendo aquilo. E foi aí que veio o click.

 

 

 

A sabedoria milenar das filosofias orientais e, posteriormente, os estudos na área da psicologia vem comprovando um aspecto fundamental para nossa saúde (individual e coletiva). Falo aqui da aceitação, pura e simples. Aceitação que é bem resumida nas palavras dos filósofos modernos: aceita, que dói menos.

 

Há dois anos, mais ou menos, eu tive uma experiência que vou levar para minha vida e que guarda relação com essa ideia de aceitar (mesmo). Eu estava trabalhando na organização e produção de um evento relativamente grande. No dia, cheguei cedo, carreguei caixas, arrastei cadeiras e todas aquelas coisas operacionais que um evento exige. Próximo da hora de receber as pessoas, eu e mais algumas pessoas nos organizamos para fazer o cadastramento de quem chegava. Criamos uma linha de produção onde cada um de nós era responsável por uma etapa do registro. A mim, coube entregar os tickets de alimentação e informar os locais e horários de almoço.
O texto era simples, a ação, mais ainda: oi, tudo bem? Estes são seus tickets para o almoço, não os perca, pois não temos excedentes. O almoço será servido do meio-dia às duas da tarde, naquele salão à esquerda.

 

Não demorou muito e eu comecei a olhar no relógio, calculando quanto tempo levaria ainda para esgotar aquela fila, que era grande e não diminuía. A vontade de achar uma desculpa para me engajar em outra atividade era grande, mas eu sabia que isso seria injusto com meus colegas de evento. Não tinha outra saída, eu tinha que aceitar que passaria mais algumas horas fazendo aquilo. E foi aí que veio o click. Pensei comigo: ok, isso está dado, mas Markus, você trabalha com espontaneidade e criatividade e está aqui fazendo tudo de forma repetida. Pode parar já, vamos mudar isso agora. Quem me conhece, sabe que eu tenho dificuldades para falar sério e adoro rir.

 

Com a pessoa seguinte que apareceu na minha frente já fiz diferente:

- Oi, quem é você? Fernanda, ela respondeu.

- Você pode provar? Ela ia tirando um documento da bolsa quando olhei para ela e sorri: não precisa, estou brincando. Ela sorriu de volta.

- Ó, você está vendo esses dois tickets aqui na minha mão? Eles são sua única chance de sair daqui sem fome. Se você perdê-los, tudo estará acabado! O almoço será naquele esplendoroso salão e você só precisa dizer que me conhece e entregar esses tickets para receber em troca uma refeição melhor do que a de muito avião.

Não preciso nem dizer que ela prestou atenção a tudo o que eu disse e ainda saiu sorrindo.

 

Próximo!

- Oi, você está bem?

- Oi, sim.

- Que bom, eu também estou bem. Na verdade, eu estou tão bem, que vou te dar um vale-almoço especialmente para você. Você só tem que me prometer que não vai perdê-los e que fará sua refeição entre meio-dia e 14 horas, naquele salão que está à sua esquerda. Em caso de falta de luz, luzes no piso indicarão o caminho.

Bom, acho que deu para entender o "sprito" da coisa, né?

Para mim, essa mudança foi brutal. Parei de olhar no relógio e comecei a me divertir. Meus colegas de evento também tiveram mudanças. Começaram a dar risada e passamos a interagir mais.

 

O meu ponto aqui é, se aceito (de verdade) "onde" estou e as limitações decorrentes desse "lugar", encontro mais facilmente espaço para criar e fazer valer a minha vontade. Acho que nem sempre posso me perguntar: se eu pudesse fazer qualquer coisa, o que eu faria? Às vezes não dá para pensar fora da caixa e imaginar, sem considerar os contornos da realidade. Nessas horas, o que tem me ajudado é pensar dentro da caixa. Parafraseando o Rodrigo, meu sócio: como, dentro dos limites dados pela realidade, eu quero operar e viver? Evidentemente que o exemplo do evento que eu usei aqui não serve para qualquer pessoa ou ambiente. Dependendo da situação, não serve nem para mim. Ainda não consigo achar esse lugar de espontaneidade em alguns ambientes. É a vida né...

 

Ainda assim, sou capaz de apostar que, se eu parar para observar "onde" estou e o que tenho à minha disposição, vou encontrar maneiras de criar, me expressar e ser um pouco mais eu. Quem fez isso, com maestria e foi, na verdade, meu primeiro "professor" foi Phil Hansen, artista plástico, que na infância, começou a sofrer de um tremor e o fez ficar afastado do seu sonho por anos, até que ele aceitou sua condição e passou a criar a partir das suas limitações. Aqui nesse Tedx dele você pode ouvir sua história e conferir suas incríveis obras.

 

 

Se esse texto conversa com você, talvez te interesse conhecer o programa Brincar de Crescer. Nele, ajudamos as pessoas a se conectarem com as suas vontades (não as dos outros), e a desenvolverem formas de colocar esses desejos no mundo, tudo de forma leve e bem-humorada.

 

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