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Em vez de tentar controlar tudo nos detalhes, a consultora de imagem
Patricia Ota Fávaro se deixou mais disponível para o que o universo oferece

 

Patricia Ota Fávaro: "Mudou até minha relação com meus filhos. Percebi que a gente pode criar as coisas juntos, um pouquinho eu, um pouquinho eles."

 

Vou ser bem sincera em tudo o que vou colocar, porque foi isso que eu me propus ser, quando aceitei participar do intensivo de fim-de-semana do programa Brincar de Crescer.

 

No domingo, quando saí de lá, entrei em crise profissional. Porque estou mudando de área, estou saindo da administração de empresas para trabalhar em consultoria de imagem. E a nova proposta me pareceu conflitante com o que vivi no programa e que fez muito sentido para mim, que é a espontaneidade. Minha proposta de trabalho é oferecer um guia pessoal para a imagem profissional, e achei que estava trabalhando para ajudar a estabelecer padrões, quando vi nos jogos as pessoas e eu mesma querendo sair dos padrões, ser criativas e espontâneas. Pensei: "O que estou fazendo? Estou propondo um trabalho que é o inverso disso".

 

A reflexão me ajudou a perceber que estou ajudando as pessoas a criar consciência sobre suas escolhas. Ao mesmo tempo em que querem sair dos padrões, elas ficam perdidas, sem referências sobre seu comportamento e vestimenta. Assim, eu posso ajudá-las a entender que a vestimenta também é uma forma de comunicação e de expressão. Trazer esse universo do inconsciente para o consciente pode ajudá-las a ter uma ferramenta a mais de comunicação a seu favor. Me ajudou a ressignificar o que eu faço, dentro dos meus valores.

 

No dia seguinte ao programa, me senti muito mais leve. Percebi meu comportamento mudar. Como muita gente que conheço, tenho uma cobrança interna muito grande, herdada da cultura familiar. "Não pode errar, errar é feio, é fracasso." Tenho trabalhado bastante isso em mim. E nos jogos eu percebi que é possível lidar de outro jeito com o erro. Eu pude praticar uma atitude diferente: faço o meu melhor e, se não der certo, posso ser generosa comigo mesma.

 

Além de ver esse padrão mudar em relação a mim mesma, percebi que mudei em relação aos meus filhos. Porque eu tendo a transmitir as mensagens que recebi de minha mãe e de meu pai lá no passado, inclusive essa cobrança em relação ao erro. E eu não quero criar bloqueios para eles, quero criá-los livres, então tenho dupla responsabilidade. E pensar nisso me deixou muito estressada, com medo do que eu poderia criar para eles.

 

Então, ao mesmo tempo em que pensava na responsabilidade, decidi ser amorosa comigo mesma e disse "chega". Me libertei disso também, porque cada um tem suas questões. Eu tenho um limite como mãe. Até um ponto eu posso ir, depois é com eles, também.

 

E isso deixou nossa relação mais leve. Mudei muito de atitude. Me peguei dizendo menos "não" e pensando mais junto com eles. Senti como se a gente estivesse fazendo o jogo que fizemos, do espelho, em que um procura refletir os gestos do outro em minúcias: um pouquinho eu, um pouquinho eles.

 

Houve um momento especial do workshop, no exercício final, em que todos estávamos criando juntos cada cena. Aquela espontaneidade e liberdade me deixou muito encantada, me perguntando o que aconteceu ali que me tocou tanto. Me dei conta de que, se a gente tivesse planejado, nunca teria acontecido tudo aquilo. E que foi maravilhoso justamente por isso: sentir, viver. Sentir e viver aquele momento foi muito gratificante.

 

Descobri faz um tempo que tenho mania de só lembrar das coisas ruins. Portanto tenho praticado lembrar e celebrar as coisas boas. E fiquei pensando quantos momentos na vida eu planejei as coisas em detalhes. Porque eu planejo tudo, organizo tudo, não quero que nada saia do meu controle. E quantas vezes eu planejei e não saiu como eu planejei, saiu muito melhor! Tenho vários momentos assim, que foram muito mais maravilhosos do que meus planos. Se eu planejasse, não conseguiria criar algo tão fantástico como foi. Fui lembrando e foram muitos momentos.

 

Caí em mim. É importante planejar, mas também se libertar, estar disponível para o que a vida traz, que pode ser muito melhor. E, se o que eu planejei acontecer de uma outra forma que para mim é ruim, eu posso aceitar e entender que eu tenho algo a mais para aprender, uma etapa a mais para passar.

 

Consegui uma transformação interna nos dois dias que estivemos juntos porque eu fiquei disponível, estava aberta para o que fosse proposto. Acho que não vou deixar de planejar, mas posso estar disponível para o que acontecer, o que vier, aceitar e receber.

Receber o que o outro traz e trabalhar aquilo a meu favor. Isso com certeza foi o grande aprendizado.

 

Se você ficou interessado, saiba que não há pré-requisito para participar do Brincar de Crescer.

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