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Entendi que posso ser mais livre do que sempre fui

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Mila Motomura descobriu que muitas regras e ideias que pautavam sua vida já não serviam mais para ela.

 

Mila Motomura: “Por que não dizer que foi uma cura? Foi uma cura. Estou mais presente, mais leve, tenho respostas mais adequadas às minhas necessidades de hoje.”

 

 

Quando eu penso nos oito encontros do programa Brincar de Crescer, a primeira coisa que me vem é: por que eu fui? Tenho uma questão bem forte que é minha timidez em algumas situações e eu sabia que o improviso seria uma ferramenta interessante para enfrentá-la. Não sabia muito bem como, nem que tipo de atividade faríamos ou onde ia pegar para mim. Mas sabia que ia ser bom, não só pelo tema e pela levada do curso, mas porque eu confio no Rodrigo Vergara, de quem eu já me considerava amiga de infância, embora tenhamos nos conhecido depois dos 40. Eu sabia que ele não ia me jogar na fogueira, nem me expor. Eu sentia que o processo ia ser profundo - e foi.

 

Nas partilhas (quando podíamos falar e ouvir sobre como as atividades nos afetaram e dividíamos nossos aprendizados com o grupo maior), essa profundidade vinha para a consciência. Eu posso dizer que, nesse processo, tive pelo menos três importantes "pérolas", que compartilhei com o grupo e carrego comigo para a vida.

 

A primeira coisa que eu descobri foi que é possível utilizar o riso para navegar melhor pelas águas da tristeza. Os encontros começaram num momento em que eu estava muito triste, mexida com uma situação familiar importante. Estava mal. Chegava aos encontros energeticamente destruída e emocionalmente abalada.

 

E lá, mesmo na tristeza profunda, eu dei muita risada, chorei de rir, mesmo. Isso nunca tinha acontecido comigo, eu não tinha esse registro no corpo. O efeito dessa transformação foi bioenergético. Quando estamos tensos, respiramos menos, tensionamos os músculos internos mais profundos. Isso interrompe o fluxo vital. Eu estava assim e nem tinha notado. O riso desbloqueou, balançou tudo, esquentou e derreteu o que estavam bloqueando. Meu fluxo energético voltou depois do riso.

 

Até então, eu usava a reflexão profunda, o mergulho em mim mesma, ou mesmo a conversa com outras pessoas para lidar com a tristeza. Mas o riso, nunca tinha utilizado!

E depois, o que eu notei foi que eu consegui acessar esse caminho novo, neuronal, que se formou no meu cérebro, de uma forma mais fácil. Esse caminho foi feito pela primeira vez no curso e depois ficou disponível, tanto que eu pude acessar o riso em outros episódios que me deram tristeza. E isso me ajudou a não fazer meu corpo ficar rígido de novo, deu leveza, foi uma ligação benéfica para mim.

 

A segunda coisa que eu compartilhei foi o tema de protagonista versus coadjuvante. A vivência me deu oportunidade de entender que, em algumas situações específicas, eu me coloco por último, demoro a me manifestar, fico para depois, secundária, é difícil para mim me colocar em evidência. Eu trabalho com público, então eu fico em evidência numa boa quando o espaço está garantido para mim. Posso falar para centenas de pessoas sem problema nenhum. Mas, quando está todo mundo igual e eu tenho que de alguma maneira disputar o espaço para me destacar, poder falar e participar, sempre fui tímida e era difícil para mim cavar esse espaço.

 

Nos jogos, foi ficando claro o que antes era uma sensação e um lamento: depois que acontecia, eu me sentia de lado, mas não entendia os mecanismos que aconteciam para eu ir parar nesse lugar: como que o mundo trazia situações e como eu reagia.

 

Nos exercícios eu entendi que tem um lado prático: se eu falo baixo e meus gestos são contidos, as pessoas vão se sobressair a mim. Percebi que, se eu quiser me sobressair nesses momentos, eu preciso primeiro respirar fundo e me perguntar se eu quero me dar o direito de querer esse espaço. E depois tenho que gesticular mais e falar mais alto, coisas que nunca tinham me vindo à mente. Aproveitei as vivências para ir experimentando aumentar um pouco nos gestos, na voz, e fui vendo como o grupo ia reagindo a esses aumentos. Foi um treino.

 

O terceiro ponto foi bem forte. No encontro anterior, eu tinha participado de uma cena em que eu me expus muito além do que eu estou acostumada. Ficar na frente da galera improvisando era exposição demais para mim. Normalmente eu diria: “Eu que não vou!” Mas decidi ir, me coloquei totalmente fora da minha zona de segurança.

 

A primeira reflexão sobre isso é que tem um ambiente nesse curso que é muito acolhedor, um campo que foi construído com cuidado. As falas iniciais dos facilitadores foram importantes para entender que eles estavam lá como guardiões do campo, inclusive mandando mensagens pelo Whatsapp para sustentar esse ambiente. E isso me deu um conforto. “Posso me jogar que tem gente segurando.”

 

Eu nunca teria entrado naquela exposição se não fosse isso. E não teria tido o aprendizado que eu tive. Esse campo de não-julgamento, de cuidado, de respeito, foi super importante para que pudessem acontecer esses passos a mais para mim.

 

Na semana que se passou depois do exercício em que me expus, eu passei mergulhada no desconforto, repensando o que eu fiz e por que aquilo mexeu tanto comigo. E tive insights incríveis sobre a forma como eu me relaciono e como eu vivo! Me permitiu ver como estou presa muitas vezes a ideias e conceitos que eu considero serem fixos, verdades dadas, regras a serem obedecidas, e não são. Entendi que posso ser mais livre do que sempre fui. Foi como se eu pudesse observar de fora as verdades da minha cabeça, uma a uma, e dizer: “Epa, calma. Isso é uma verdade ou é uma ilusão da minha cabeça?”

 

Me trouxe reflexão e insights sobre de onde vêm algumas coisas, formas de agir automáticas, veio uma reflexão sobre minha infância, sobre minha família. Foi uma cura, mesmo. Por que não dizer que foi uma cura? Em um certo nível, foi uma cura sim. E eu estou me sentindo mais presente, mais livre, mais leve, acrescentei ao meu repertório novas respostas mais adequadas às minhas necessidades de hoje. Respostas que me dão mais segurança e influenciam na forma como estou agindo e me relacionando com as pessoas.

 

E eu só tenho que agradecer!

Ficou interessado em fazer essa jornada de desenvolvimento também? Então venha participar do Brincar de Crescer. Um programa voltado ao desenvolvimento da Espontaneidade e da Criatividade. 

 

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