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Meus cabelos brancos não inibem a criança que mora dentro, quem inibe é o julgamento, diz o escritor e editor Marcelo Melo

 

 “O peso das coisas aumenta muito se quiser colocar minha história em tudo”, diz Marcelo Melo, que não precisou abandonar o hábito de não sorrir em fotos.

 

Tem gente que quer ser John Malkovich. Quase aos 50 anos, defini que quero ser Philip Roth, o premiadíssimo e prestigiado autor de romances americano.

 

Descobrir mais maduro o que realmente te dá tesão implica tratar o tempo de forma mais preciosa. Vencida a sensação de desperdício, fica o desejo pela assertividade. Como se a objetividade fosse a única imposição capaz de recolocar o trem nos trilhos. Escrever como Philip Roth não é fácil, já percebi. Decidi pelo menos não rir em fotos, assim como ele.

 

A decisão pode parecer estranha numa sociedade dominada por selfies e quase crente na felicidade geral. Mas quem lê Roth entende que é importante saber onde a imagem vai ser utilizada. Será que o sorriso vai combinar com a legenda?

 

Por esse motivo, só ria em fotos para os meus filhos. De resto, me certificava que os lábios estavam colados. Meu sorriso sempre saiu fácil, mesmo tendo sido criado num ambiente austero, no qual a seriedade foi de longe mais popular do que as piadas. A responsabilidade, valorizada. A diversão, postergada para o baile mensal no clube.

 

Sempre foi simples fechar o rosto e buscar a obrigação, racionalizar e tentar otimizar algo.

Então por que cargas d´água fui a esta altura da vida fazer um curso chamado Brincar de Crescer? No momento em que eu decidi pelo programa, tinha convicção de que precisava era me reinventar, de preferência encontrar alguns atalhos que descontassem as patinadas. Tinha deixado pelo caminho o desejo de um curso de clown que eu achava que me ajudaria a vencer a timidez, lembrança das gargalhadas espontâneas com os palhaços em picadeiros. Meu pai recebia convites para todo circo que visitava Itapeva, cidade de São Paulo onde nasci. E não eram poucos.

 

Na primeira vez em que conversei com o Rodrigo Vergara, na segunda em que o vi, fui, como sempre, despejando a minha vida. Ele não julgou. Afirmou que, apesar da sucessão de problemas, eu parecia bem. De fato, eu estava, embora ainda me pressionando pela reinvenção. Dias depois, quando surgiu o “folheto” do curso no meu celular, decidi fazer. Claro que intuí que poderia ser o mais velho da turma, já fui acostumado a ser o mais novo. Não tenho mais grandes questões de timidez, mas melhorar o improviso seguia sendo uma meta. Lá fui eu, marquei na agenda oito segundas-feiras à noite. A porra da empresa chama Ria, ainda por cima...

 

Passadas dez segundas-feiras, cheguei ao final do programa sem faltar nenhuma vez. E embora ainda sinta que existe um campo enorme para evoluir, levo algumas lições. Sempre achei que comunicação e sintonia são os maiores desafios humanos. Embora confie na minha capacidade de relatar histórias, decidi que o melhor a fazer era botar a família toda (mulher e dois filhos) para viver a mesma experiência. Tipo o Brincar de Crescer virou currículo básico da família Melo. A lógica é azeitar a química e a interação entre nós.

 

O que eu aprendi nessas noites?

 

•    Que a minha falta de cabelos ou a brancura dos resistentes não inibe a criança que sempre existe dentro de um humano, quem inibe é o excesso de julgamento. Querer acertar muito é necessário, mas, se passar do ponto e impedir de tentar, fodeu, a emenda é muito pior do que o soneto;

 

•    Que existe o outro, e é possível entrar em conexão com ele, por mais diferente e estranho que possa parecer. Basta estar aberto e se entregar. Duas pessoas de fato se dispondo a construir algo tem mais efetividade do que qualquer material tecnológico;

 

•    Um sim nem sempre é um sim, um não nem sempre é um não. Mas o melhor do mundo é o “sim, e”, carinhosamente apelidado de sinhê: dar um sim, que não precisa ser formal e caricato, e ainda dar ideias, colaborar, aumentar. Um sim verdadeiro ao outro seguido de sua própria contribuição, também verdadeira e acolhida dessa forma pelo outro, pode ser tão gostoso quanto um orgasmo;

 

•    Errar é sempre um sinal vital. Se você não erra, das duas, uma: ou está morrendo ou é um bundão, o que não é tão diferente de estar morto. O segredo, para mim, é se entregar, estar presente, dar o melhor e esperar, que a sorte faz parte. No jogo/programa pode-se errar sempre. Na vida, melhor torcer para errar nas horas não fatais. Mas, se mesmo nessa você errar, é preciso continuar tentando e errando para acertar.

 

•    Que por mais egóica que seja a vida (e ela é, mesmo que os caras de humanas digam que não), o outro existe e é provável que tenha coisas que faltam em você. Aprendi a procurar um outro pelo que me falta, não pelo que me sobra.

 

•    O peso das coisas aumenta muito se eu insistir em colocar minha história em tudo. O presente só vira história depois de vivido. Aprendi a não antecipar. Depois, sim! Incluir, refletir, digerir, criticar. Não antes.

 

Vou sentir falta do programa, do “campo” que o Rodrigo e o Markus incentivaram, dos colegas. “Amigos de infância a gente guarda com carinho”, disse a Mila, uma das participantes. É isso. Se a gente brinca junto, somos amigos de infância. Brincamos, rimos, sim, houve momentos DR e até lágrimas.

 

Algumas fichas ainda irão cair, mas o balanço já é positivo. Ainda que eu não tivesse aprendido nada sobre mim mesmo e o outro, pelo menos teria rido. Ainda que não tivesse me divertido, pelo menos teria tido algumas revelações.

 

E veja só. Eu, que não sou conhecido pelo elogio fácil, concluo: o nome do treco tá errado. Não deveria ser Brincar de Crescer. Talvez “Ri, e Agora Sim Cresci”.

Na foto do final do curso não sei se mantive os lábios cerrados...

 

Marcelo Candido de Melo, 52 anos, administrador de empresas, pensou que seria executivo de multinacional, foi por um tempo, decidiu empreender, acertou, vendeu a empresa, montou outra, errou, quebrou, descobriu que precisa escrever e precisa se reinventar, sempre, porque também é inquieto. Se sente um representante da palavra num mundo de imagens.

 

Ficou interessado em fazer essa jornada de desenvolvimento também? Então venha participar do Brincar de Crescer. Um programa voltado ao desenvolvimento da Espontaneidade e da Criatividade. 

 

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