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O administrador de empresas Flavio Okuno enfrentou o medo do desconhecido e aprendeu a abraçar o resultado não esperado

 

Flavio Okuno: "No trabalho e na vida eu enfrento todos os dias situações que eu não tinha previsto. Antes, eu resistia. Agora, eu até me divirto"

 

Para começar, tudo foi muito divertido. Desde o primeiro jogo (Flávio participou da versão intensiva do Brincar de Crescer, que dura um fim-de-semana), meus sentidos e minha alma ficaram profundamente engajados, envolvidos e esperando ansiosamente pelo que viria a seguir. Não houve um momento sequer em que não estivesse interessado em participar ou ficasse desconfortável. Ao contrário, todas as pessoas, a energia do grupo e o clima acolhedor que foi criado fez com que eu sentisse como se conhecesse todo mundo há bastante tempo. Me senti confortável para brincar e me divertir. Fazia tempo que não ria de modo tão verdadeiro.  

 

Mas o riso e a alegria não foram os únicos sentimentos presentes. Houve também curiosidade, empatia e até mesmo apreensão. A cada jogo, observava atentamente como cada indivíduo dentro da sala se mostrava, se descobria, se enfrentava, e isso me deixava ainda mais envolvido com toda a experiência. Foi interessante perceber como cada situação é vivenciada de modo único por pessoas tão diferentes, e ao mesmo tempo como somos tão parecidos em nossos pensamentos, ações e percepções.

 

O mais interessante, porém, foi ser colocado frente a frente com minhas vulnerabilidades mais profundas. E foi refletindo sobre isso que eu entendi o significado e a proposta de todo o programa. Explico: a cada jogo, fui começando a resgatar algo que estava meio desaparecido dentro de mim, e com o qual travei contato pela primeira vez na vida quando fiz teatro, há 7 anos. É a sensação de estar em uma zona desconhecida, não pensada, não planejada, na qual a razão não vale de nada. Toda brincadeira, de algum modo, me trouxe de volta a esse território que eu não visitava há muito, muito tempo. E isso deu medo. Mas um medo estimulante, aquele que, se por um lado me assusta, por outro me chama a descobrir o que existe lá no fundo da alma.

 

Todos os jogos iluminaram de alguma maneira as cavernas que me habitam. Porém, alcancei o ápice no último jogo, no qual ficamos em roda e detínhamos o poder de congelar um personagem para criar uma cena totalmente diferente da anterior. Foi ali que me dei conta do quanto esse medo do desconhecido se manifesta na minha vida.

 

Antes de iniciarmos o jogo, o Markus havia falado que não era para a gente pensar muito antes de entrar na cena, que era pra ser algo ágil e fluido. Eu entrei uma vez e participei, quis entrar novamente, mas não consegui, porque não tinha nenhuma outra cena em mente pra dar continuidade à anterior. E o objetivo do exercício era justamente esse: entrar sem ter nada em mente, improvisar na hora, criar uma nova cena observando o outro. Não consegui porque a necessidade emocional de ter onde me apoiar mental e racionalmente foi maior do que eu. O “risco” foi intolerável. Refletindo depois sobre os jogos, cheguei a uma conclusão interessante: o medo essencial da minha vida sempre foi (e continua sendo) a imprevisibilidade. E ele só existe porque não tenho confiança de que serei capaz de improvisar.

 

Disse isto numa das inúmeras conversas que tivemos na sequência dos jogos: sou um indivíduo que planeja, que pensa antes de falar, que se apoia na razão para lidar com o mundo. Gosto da previsibilidade, da estabilidade. Quando as coisas não saem conforme eu esperava, bate aquela frustração e começo a praguejar contra tudo que aconteceu inesperadamente. Sou assim desde que me entendo por gente. O Brincar de Crescer me mostrou como eu estava equivocado durante todo esse tempo. Pois não há um único dia sequer em nossas vidas no qual algo de inesperado não aconteça. Não há uma única situação na minha vida na qual não seja exigido, de alguma forma, que eu improvise, que eu me adapte ao que eu não estava esperando (essa temática do risco e da imprevisibilidade é explorada de maneira brilhante em dois livros de finanças, que resgatei da memória pra associar à experiência no Brincar: Os Axiomas de Zurique e O Fator Sorte, de Max Gunther).    

 

Sempre lidei com a vida como se ela fosse uma sequência de fotografias, montagens que eu elaborava na minha mente. A vida deveria corresponder a essa sequência de imagens estáticas e cuidadosamente construídas, elaboradas para ter determinada luminosidade, com ângulos e perspectivas estudadas, enfocando determinados objetos e pessoas previamente escolhidos e com determinadas cores. Era esse o mindset predominante. Mas agora caiu a ficha e descobri que a vida é filme, não fotografia. O filme acontece rapidamente, com cenas aparecendo uma após a outra, imagens que vêm e vão e que às vezes nem notamos (talvez porque não seja mesmo possível notar). Para complicar, o filme da vida não tem roteiro pré-definido, não tem ensaio, não dá pra rodar uma vez e rodar de novo depois, mas ainda assim deve ser dirigido sem pausas. Até podemos planejar uma cena com alguns atores e cenários para daqui a uma ou duas horas, mas nem isso é garantido: dependendo do que se materializa agora, o roteiro pode ser levado a um caminho totalmente diferente daquilo que havíamos imaginado.

 

Sendo assim, como é que podemos dirigir um filme com o mesmo modus operandi de um fotógrafo que busca a foto perfeita? Não podemos! Isso é impossível! Essa foi a descoberta mais preciosa que eu trouxe daquele final de semana.

 

A partir dessa reflexão, começou a acontecer uma mudança de paradigma em minha vida. Comecei a pensar que todas as situações de minha vida (ou pelo menos a grande maioria delas) – seja no trabalho, na vida pessoal ou na solidão – são como cenas de improviso, na qual estou sujeito à mais pura imprevisibilidade e tenho que reagir instantaneamente com base naquilo que acontece naquele exato momento, diante de mim. E nesse processo, o que prevalece muitas vezes é a espontaneidade, a intuição e não a razão. Por algum motivo, à medida que viramos adultos perdemos essa capacidade que é inata nas crianças e passamos a depender, cada vez mais intensamente, da razão. Foi por isso que senti medo no último jogo: porque essa verdade profunda sobre a vida estava passando diante dos meus olhos, e a postura que eu vinha adotando até então ia contra essa verdade. Foi um choque de realidade.

 

Quando nos damos conta de que levar a vida buscando ininterruptamente segurança, planejamento e previsibilidade é loucura (embora tudo isso também seja importante), as coisas ficam mais leves. Muitas preocupações naturalmente vão embora. No trabalho, por exemplo, tenho que lidar diariamente com demandas inesperadas e situações para as quais não estou preparado. Isso sempre me causou terror e estresse, mas agora estou buscando ver de forma mais natural. Pois essas demandas e situações são a regra em qualquer situação na vida, não apenas no trabalho. Elas são como as cenas de improviso que vivi no Brincar de Crescer e, como tais, podem se tornar até mesmo divertidas (divertidas!). E se eu errar? Tudo bem, erramos milhares de vezes nos jogos. É claro que os erros têm consequências e consequências, a depender da conjuntura, mas agora entendo que ele é intrínseco à vida. Não cabe julgar ou apontar o dedo para quem errou, mas sim criar algo novo a partir do erro, assim como em uma cena de improviso criamos coisas novas a partir de algo que o outro (ou que nós mesmos) fez (fizemos).

 

Também estou tentando me aprofundar na arte da alteridade e da empatia. Seguindo a mesma lógica do erro, como me relacionar com o outro a partir do que o outro é e faz, e não do que eu queria que fosse? Nos jogos, nunca esperei nada dos outros, nunca quis que o outro reagisse de determinada maneira para se encaixar em alguma cena que eu estava imaginando. Apenas me adaptava a ele e isso era muito legal, pois disso saíam coisas engraçadas e interessantes. Por que na vida deveria ser diferente?

 

Procurei o programa com a intenção de me divertir e conhecer algo diferente, mas o que encontrei foi muito além disso. O Brincar de Crescer me mostrou uma verdade profunda sobre a vida e isso me fez evoluir como ser humano. Em apenas dois dias, extraí inúmeros aprendizados que estão influenciando minha vida de uma maneira que eu nunca poderia imaginar. Agradeço sinceramente a oportunidade que tive de vivenciar tudo aquilo.

 

Não tenho dúvidas de que irei atrás de mais cursos assim, inclusive com vocês, novamente.

Ficou interessado em fazer essa jornada de desenvolvimento também? Então venha participar do Brincar de Crescer. Um programa voltado ao desenvolvimento da Espontaneidade e da Criatividade. 

 

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