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Aprendi a aceitar as coisas como elas são

January 10, 2018

Adriana Marmo passou a olhar para os fatos como eles são e a lidar com o que está à disposição, não o que gostaria que estivesse

 

Adriana Marmo: "Conheci uma leveza nova, que permanece mesmo quando tudo está dando errado.

 

Sou a filha caçula e também a neta mais nova de uma família com uma dezena de primos. Talvez por isso, a criança em mim sempre esteve muito viva. Timidez também é uma coisa que desde a adolescência eu aprendi a lidar: sempre que eu sentia vergonha, bastava falar. Falar rápido, falar alto ou falar engraçado. Descobri que com essa atitude eu botava para fora esse sentimento e não ficava paralisada.

 

Então, quando eu soube do programa Brincar de Crescer, da RIA, achei que seria algo bem divertido e que eu não teria nenhum problema. Para mim estava tudo fácil: eu ia me dar superbem, ia me entregar, não ia ter vergonha, ia ser tranquilo. Talvez eu fosse até a melhor aluna, porque, afinal, né, não tenho timidez, tenho anos de terapia, meditação e espiritualidade... Achava que estava ali, no caminho certo. Em suma: estava bem perfeita.

Vale dizer que eu sabia muito pouco sobre a experiência. Um amigo, o Vini Marson, tinha me indicado e falado muito bem sobre o programa, mas eu não fui procurar saber mais de propósito, eu gosto de entrar nessas experiências dessa maneira.

 

No primeiro exercício que fiz, tinha que abrir uma caixa imaginária e pegar o objeto que encontrasse ali dentro. E eu encontrei lá dentro o controle remoto do vídeo game do meu filho.

 

Fiquei muito brava. Porque percebi que eu já estava no controle, que eu ia controlar tudo e que não ia me entregar. Então, nos dois primeiros encontros do programa, eu fiquei brigando com isso, com meu próprio controle. Embora os exercícios pedissem respostas rápidas e espontâneas, minhas ações estavam muito premeditadas.

 

Só destravei desse controle lá pelo terceiro encontro, num exercício chamado “engrenagem”, em que eu tinha até vergonha de olhar o que as pessoas estavam fazendo, porque elas estavam muito ridículas. Essa foi a primeira atividade na qual entrei sem saber o que ia fazer. Entrei e fiz um movimento bem ridículo, repetimos e fiz algo mais ridículo ainda. E, quando percebi aquela engrenagem funcionando, alguma coisa se moveu em mim. Fiquei muito emocionada. Percebi que, se eu parasse de fazer o que eu estava fazendo (ridiculamente, diga-se de passagem), ia parar a engrenagem, porque havia outro que dependia de mim ali na frente ou ali atrás. Me senti fazendo parte. E senti que ninguém estava nem aí para minha ridiculice.

 

Ali foi um ponto de virada. Entendi o que significava o tal do “campo”, de que o Rodrigo e o Markus sempre falavam. Estávamos todos juntos. E eu senti a segurança de começar a soltar, a dizer “sim” para mim. Pensei: “É isso: vai!”

 

Ao contrário de outras experiências pelas quais eu já passei, no programa eu encontrei uma coisa diferente, que é a mais legal: a leveza. Porque na maioria dos dias eu saía da vivência com aquela sensação física, muscular mesmo, de leveza.

 

Eu tenho leveza na vida, em geral eu sou alegre, para cima, sou positiva. Mas ali aprendi uma leveza para as horas em que tudo dá errado. Uma leveza que me deixa olhar de um jeito novo até o que está ferrado e dizer “tudo bem, é assim que temos hoje e é assim que a gente vai”. Aceitar aquilo e vamos em frente.

 

Fui percebendo no meu dia-a-dia a aceitação que brotava em mim. A aceitação foi algo que ficou muito forte durante o processo. Estou tentando controlar? Aceita. E, a partir da aceitação, entende o que pode ser bom ou ruim em cada coisa.

 

Outra coisa que foi maravilhosa é que, até hoje, eu não sei nada de ninguém do grupo. Não sei se tem médico, padeiro, publicitário. Se tem gente de sucesso, famosa, com dificuldade. Não sei. Ali para mim tinham pessoas que eu fui conhecendo por meio de sentimentos, por olhares, por coisas que elas me davam e que eu dava para elas. Por trocas. E ali foi se estabelecendo um tipo de relação que eu nunca tive em lugar nenhum. Hoje eu me sinto muito conectada a todas.

 

E o penúltimo encontro foi muito significativo. Pouco antes, eu tinha tido uma conversa desgastante com o telemarketing da TIM. Não sou do tipo que grito com operadora, a conversa foi gentil. Mas foram 10 telefonemas para resolver o problema. Logo depois, na vivência, um exercício pedia que eu observasse meu corpo e me dei conta da raiva que estava dentro de mim, uma raiva grande. E não era só por causa da operadora. Era algo que estava acumulado havia dias, e eu nem percebia.

 

Me dei conta do quanto estou distante de alguns sentimentos dentro de mim, especialmente os negativos. Bastou observar o corpo, em silêncio: olha o que está tenso, percebe a cara que está fazendo... Percebi que eu devia estar na rua andando de cara feia. E me achando super alegre! Naquele dia, em todos os exercícios percebi que estava raivosa. Foi interessante resgatar essa percepção.

 

Isso foi importante para a semana seguinte, em que algo desafiador e importante aconteceu na minha vida, e que compartilho aqui: senti os primeiros sinais da menopausa, que é um tabu entre as mulheres que eu conheço.

 

Se eu não tivesse passado pela vivência, talvez estivesse vivendo esse momento de outra maneira. E posso dizer que estou vivendo com alegria.

 

Sempre achei que, quando a menopausa chegasse, minha reação seria natural, cheia de positividade. Sou ciclista, pedalo bastante, sou alegre, viva. Estou com 51 anos e estou inteira, isso não vai pegar para mim. E no entanto me deu tristeza, melancolia, uma sensação de decadência. “O que vai ser?”

 

E eu consegui entrar em contato com essa dor. Vivi e entrei em contato com ela, fiquei recolhida, que é algo que eu faço muito pouco, fiquei lambendo a ferida. E aí aceitei. Disse sim. “Agora estamos assim, o que vamos fazer com isso?”. E essa aceitação da dor, estranhamente, abriu um campo de alegria. Se no começo foi pesado, no final ficou muito leve passar por esse processo com leveza e diversão. “É isso que eu tenho hoje, meu corpo vai entrar em decadência, agora é assim.”

 

Então, para além de todo o processo, para mim esse penúltimo encontro foi uma explosão de autoconhecimento, me deu a exata noção de como estou longe da perfeição que eu queria para mim, como tem caminho para andar até essa serenidade.

 

O grande aprendizado foi não esquecer de olhar para mim. Entrar em contato com o que eu tenho dentro. Tenho resistência a aceitar o sentimento ruim, tristeza, melancolia, raiva...

 

Isso me deu essa presença, me trouxe um mergulho, me conectou com meus músculos. Voltei a fazer alongamento, voltei a olhar para minha resposta e principalmente voltei a aceitar.

 

Quero tentar fazer pós-graduação.

 

Quando alguém me diz que estou bem, tenho dificuldade de explicar para outras pessoas o que aconteceu, assim como tiveram dificuldade de explicar para mim. Em vez disso simplesmente recomendo o programa e digo: “Vai lá, se joga.”

 

A palavra que me vem é gratidão. Foi importante para mim nesse momento.

Ficou interessado em fazer essa jornada de desenvolvimento também? Então venha participar do Brincar de Crescer. Um programa voltado ao desenvolvimento da Espontaneidade e da Criatividade. 

 

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