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Improvisação para um verdadeiro Team Building

Um dos grandes benefícios da Improvisação Aplicada está no desenvolvimento de grupos e pessoas que trabalham juntas. Para além dos benefícios individuais, a improvisação permite encontrar uma sinergia coletiva entre pessoas que desempenham papéis complementares. Aqui vamos falar desse tema por meio de um modelo desenvolvido por um pesquisador americano, e depois viajar um pouco pelas relações desse modelo com a Improvisação.

 

A Teoria da qual me refiro é a das 5 disfunções de uma Equipe, proposta por Lencioni (2002), Ele propõem que toda equipe pode apresentar 5 tipos de problemas que estão intimamente interligados.

 

A primeira disfunção de uma equipe está na falta de (1) confiança. Para o autor, esta é a base para um bom desempenho coletivo. É importante, no entanto, explicar melhor esse conceito de confiança no contexto de equipes. A confiança da qual fala o autor é a de que no grupo, todos possuem boas intenções e por isso não há motivos para ficar medindo as palavras ou se protegendo. Se há esse tipo de confiança no grupo, todos se sentem confortáveis para se colocarem numa posição de vulnerabilidade frente aos demais membros do grupo. Todos podem admitir suas limitações e inseguranças e pedir ajuda quando achar necessário. Se as equipes conseguem atingir esse nível de confiança, a energia das pessoas volta-se para a tarefa em si e não mais em manter as aparências ou esconder os problemas. Todos podem falar abertamente sobre os problemas e como superá-los sem que ninguém se sinta atacado ou ameaçado.  

 

A segunda disfunção proposta pelo autor é chamada de (2) medo de conflitos. Equipes coesas e eficientes possuem a capacidade de se engajarem em debates e discussões assertivas e produtivas em torno de conflitos. A base para conflitos produtivos é a própria confiança já explicada no parágrafo anterior, mas além de acreditar que todos querem o bem coletivo, é preciso também uma comunicação assertiva, mantendo a discussão centrada nas ideias e objetivos e não nas pessoas ou interesses políticos. Ataques pessoais ou a omissão por medo de contrariar uma ideia ou pessoa faz com que equipes paralisem e tenham dificuldade de tomar decisões. Ao contrário do que se possa imaginar, adentrar em conflitos, desde que de forma saudável, pode economizar tempo e aumentar a produtividade das equipes, pois enquanto ninguém falar do "elefante branco", ele seguirá no canto da sala e impedirá que a equipe avance para a terceira competência de uma verdadeira equipe.

 

A terceira disfunção de uma equipe está na (3) falta de comprometimento. Se engajar em conflitos produtivos é muito importante, mas isso não garante que ao final todos estarão de acordo com a decisão a ser tomada. Esse é um grande segredo das grandes equipes. Seus membros possuem maturidade suficiente para apoiar e se comprometer com decisões que eles não consideram as melhores. O consenso, embora seja o ideal, pode se tornar uma busca muito custosa ou até impossível em alguns casos. Eventualmente, caberá aquele que tem o poder da decisão, após ter ouvido todos os pontos de vista, chutar o pênalti para o lado que lhe parecer mais correto. O comprometimento, no entanto, não se limita aos casos onde não há consenso. Ele precisa ir além. Dada a volatilidade, incertezas, complexidades e ambiguidades do mundo de hoje, não é mais possível se ter certeza de nada. E mesmo sem certezas, é preciso tomar decisões e se comprometer com elas. Equipes eficientes são ousadas o suficientes para tomar decisões diante as incertezas e, se for necessário, corrigir a rota com a mesma ousadia. Equipes com esse nível de comprometimento saem de suas reuniões seguros de que todos darão o seu melhor, mesmo que contrariados com decisões tomadas. Lembre-se, equipes eficientes nunca buscam o consenso e as certezas.

 

Uma vez que todos estão comprometidos, é preciso agora assegurar-se de que as metas e resultados esperados sejam alcançados, afinal, parafraseando Garrincha, "nada foi combinado com os russos". A quarta disfunção de uma equipe está na (4) dificuldade de se cobrar internamente por resultados. Uma equipe eficiente tem a capacidade de apontar para os problemas que possam impedir o time de chegar ao seu objetivo, mesmo que esse apontamento seja dirigido a alguém especificamente. Novamente, é importante frisar que não se trata de um ataque pessoal e sim uma cobrança sadia e assertiva, baseada em fatos e que visa corrigir o rumo ao invés reforçar o problema. Por mais que esse tipo de conversa possa ser difícil e delicada, evitá-la pode trazer ainda mais prejuízos para os resultados desejados e para as relações interpessoais.

 

A última disfunção de uma equipe está na (5) desatenção para os resultados que realmente importam. É preciso que haja capacidade de manter o foco e prioridade nas metas coletivas. Tudo deve girar em torno dos objetivos coletivos aos quais a equipe se propôs. Por mais óbvio que isso pareça, é comum que com o tempo esse foco se perca ou que metas individuais se sobre-ponham às metas do grupo. Aqui o autor ainda dá uma dica: evitar muitas metas e indicadores. O excesso de métricas pode indicar um desconhecimento do que realmente é essencial para o sucesso da equipe, bem tonar divuso o processo de follow-up dos resultados esperados.

Resumindo o modelo de Lencioni (2002), entendemos que a base para todo verdadeiro trabalho de equipe estão em cinco aspectos:

 

(1) a confiança de que todos querem o melhor para o grupo;

 

(2) a capacidade de se colocar numa posição de vulnerabilidade para admitir que não se sabe tudo;

 

(3) se engajar em discussões produtivas e centradas nas ideias;

 

(4) comprometimento com as decisões tomadas, mesmo que elas contrariem a opinião de algumas pessoas;

 

(5) foco e compromisso coletivo com os resultados desejados.

 

Para nós, o que une esse modelo proposto por Lencioni e os trabalhos com a Improvisação pode ser resumido em intimidade. Essa é uma palavra que, de alguma forma, quase sempre aparece nos momentos finais dos nossos trabalhos. Algumas pessoas falam de uma intimidade consigo mesmos, com seus sentimentos e emoções. Outras falam da intimidade com os outros, na relação com o outro.

 

Os jogos e exercícios, talvez por ultrapassarem a barreira do cognitivo e verbal, nos permitem conhecer a nós mesmos e aos outros por outras vias menos lógicas e controláveis. Nós entramos em contato com coisas que geralmente não entraríamos se ficássemos apenas na conversa.

 

Para saber ouvir, se deixar afetar e dizer sim, por exemplo, é preciso que se cultive a intimidade com o outro. Se colocar numa posição de vulnerabilidade também exige essa intimidade. É essa intimidade que permite conhecer o outro e ter a confiança de que ele quer o melhor para a equipe. É essa intimidade que favorece as comunicações mais empáticas e assertivas. Conhecer o outro de verdade tira das nossas mentes as fantasias e julgamentos que fazemos por desconhecimento. É como se a intimidade limpasse nossas "lentes" e nos permitisse enxergar a nós mesmos e aos outros de forma mais transparente e com melhor qualidade.

 

A forma como estamos sendo convidados a nos relacionarmos atualmente tende a nos afastar desse lugar de intimidade. A facilidade de enviar uma mensagem muitas vezes nos "economiza" o tempo de ir falar pessoalmente com uma pessoa. A urgência constante na qual vivemos nos incentiva a focar mais nas tarefas e menos nas relações,

olhar olho no olho é quase um comportamento em extinção. E por tudo isso vamos deixando de nos conectarmos com nossas próprias emoções e as emoções dos outros. Esse é um dos trunfos da improvisação. Ela é uma tecnologia analógica em meio a um oceano digital, ela nos convida a ficar no aqui e agora, a sentir, ver, agir em relação com o outro e para o outro, querendo o seu melhor. É por isso que acreditamos que a improvisação pode ajudar o mundo a ser um lugar melhor. Faz sentido para vocês?

 

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