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Empreender é Improvisar

O número de empreendedores criativos e inovadores está crescendo massivamente, e estamos nos deparando com um cenário completamente inédito: jovens tomados pela paixão de criar, orientados pelos próprios sonhos e não suportando o formato tradicional de trabalho.

 

O caminho profissional que vinha sendo construído como padrão até então já não é mais óbvio. Já não esperamos trabalhar anos na mesma empresa, subindo cargos, engordando nossos salários e construindo uma estrutura profissional cada vez mais sólida. Aliás, a solidez já cedeu espaço para o dinamismo e o movimento.

Fluidez da rotina e desconstrução de papéis são pré-requisitos na estruturação dos novos negócios. Entramos na era da CRIATIVIDADE.

 

Já não nos basta ter a liberdade de escolher a profissão que gostamos, por exemplo, escolher entre ser dentista, advogado, contador, médico ou professor de matemática. Queremos mais, queremos criar projetos e não simplesmente escolher profissões. Criar formas de trabalho nunca pensadas, criar soluções inéditas para problemas sociais antigos.

 

Essa estrutura, no entanto, nos exige competências bem peculiares, das quais nem sempre temos consciência da importância.  Quando escolhíamos nossa profissão, recebíamos todos os modelos já existentes na determinada área empacotados para presente.

 

Nossa função era abrir a embalagem, estudar modelo por modelo e decidir que tipo de atitudes adotaríamos para seguir esses exemplos. Já não é mais assim. Além de complexo, criar um negócio exige habilidades pessoais diversas. Poderíamos selecionar várias, mas vamos dar destaque a uma em especial: a capacidade de improvisar.

Estamos sendo perseguidos pela dicotomia entre o planejar e o criar, o medir e o sentir, o desejo e o desconforto.  E isso tudo nos exige muito jogo de cintura. Precisamos permanecer constantemente atentos e engajados no momento presente, e ao mesmo tempo, flexíveis o suficiente para mudar a rota caso necessário.  O norte (meta) está claro, mas o caminho pode não ser tão retilíneo, e nesses casos, improvisar é necessário.

 

Somente quando começamos a estudar improvisação entendemos que planejar não é um processo estanque, mas sim dinâmico, e que improvisar é a chave para torná-lo mais criativo e assertivo.

 

Calma(!), explicamos: improvisar não é não se preparar e simplesmente fazer, e é muito mais do que uma técnica que se pode dominar racionalmente. Improvisar é uma forma de ser e estar no mundo, é uma forma de se relacionar com os outros e de dar respostas e encontrar soluções.

 

É uma prática que nos chama para o aqui e agora e para exercitar nosso medo do fracasso, para fortalecer outros tipos de Inteligência, como a emocional e intuitiva, e a capacidade de cooperar com o todo.

 

Em uma analogia, improvisar é como surfar. Não podemos modificar ou controlar a onda, mas podemos usar nossa criatividade e habilidades para surfá-la da melhor maneira possível.

 

Quando se decide começar um negócio (para nós tem sido assim), enfrentamos inúmeros desafios. A vida é uma complexa teia e cada um de nós representa um pequenino ponto nesse emaranhado.  Ainda assim, temos potencial para influenciar o ambiente que nos cerca e colocar nossos sonhos de pé. O problema é que essa teia (vida), não está aqui somente para atender aos nossos desejos. É quase como se ela tivesse vontade própria e, por vezes, parece que essa vontade é de não colaborar com a gente, não é mesmo?

 

“Planos humanos são comédia para os deuses” diriam os filósofos gregos.

 

Não sabemos se vocês concordam com essa analogia, mas ela representa muito bem como nos sentimos nesse último ano e meio, quando fundamos uma empresa com mais alguns amigos. Existem infinitas variáveis e compor com elas um plano não é tão simples, especialmente em dias como os de hoje, em que tudo muda muito rápido.

Como planejar quando a informação é tão abundante e tudo é tão incerto, volátil?

Diante deste cenário tão complexo, a qualidade mais fundamental de todo bom improvisador parece ser a saída: improvisadores não têm medo de errar, nem de serem ordinários, pois treinaram muito até aprender a lidar com esses aspectos.

 

Quando eles sobem ao palco, fazem o que é possível naquele instante, com os recursos que possuem e/ou encontram no momento. O resultado, especialmente no começo, são cenas ruins, confusas e sem graça. Mas só há uma forma de fazer uma boa cena: errando nas primeiras tentativas.

 

Improvisadores treinam muito, e aprendem fundamentalmente com suas experiências. Quando recebem um estímulo, eles não ficam paralisados, escolhendo a melhor ideia para começar uma cena; eles pegam a primeira coisa que vem à mente, colocam em ação e assim vão se treinando. Quando estamos empreendendo, temos sim que estudar e planejar, mas também temos que fazer, experimentar e aprender com e pela experiência.

 

Essa ideia de fazer se aproxima muito do conceito de mínimo produto aplicável, utilizada por muitos empreendedores e criadores. Qual é o mínimo que precisamos para começar? Ao invés de esperar pelo ideal, é possível começar e aprender fazendo.

Para nós, as “Noites de Improvisa” (um produto semanal de treino de improviso aberto ao público que teve duração de um ano) cumpriu esse papel. Ela nos possibilitou começar e sair da inércia. Se tivéssemos esperado pela ideia perfeita, totalmente planejada e dimensionada, possivelmente ainda estaríamos em uma gaveta.

 

Meryl Streep traduziu esse pensamento de forma brilhantemente simples: “Start by starting.”

 

É por esses e outros motivos que a improvisação está sendo tão utilizada mundo afora. Ela está muito afinada com esse movimento de “learn by doing” e nos treina para agir mesmo em cenários confusos, mesmo diante do sentimento de que falta algo.

Com a prática de improviso, aprendemos a ser mais tolerantes com nossos erros e tropeços na construção do novo, e para empreender, essa maturidade emocional é um diferencial imensurável.  

 

 

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